segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Eterno observador...

Ser observador...

Ser observador do mundo a sua volta...
dos sinais que as pessoas te passam propositalmente ou sem querer...
assim eu observo. Observo todos os olhares curiosos, de desdém, interessados, olhares.

Olhares que me passa tantos, inúmeros sentimentos e que de uma forma ou de outra eu preciso lidar de forma que todos, todos participem das atividades propostas em sala de aula. 

Sim, porque preciso avaliar e dar notas. 

Mas acredito que não é todo mundo que simpatiza e tem habilidades com as artes visuais... seja pra desenho, montar uma maquete ou simplesmente criar objetos usando massinha ou argila. 

Sim... pessoas e pessoas. Afinidades e afinidades. 

Mas, na escola a gente sabe que não tem muito disso. Mas mesmo assim, tento sugar ao máximo do que cada um consegue contribuir para o trabalho final.

Gosto muito de trabalhos coletivos onde todo mundo tem  oportunidade de exercer algum tipo de função. Chance de realizar algo que talvez não seja pintar e sim misturar cores, distribuir pincéis, lavar os pincéis, espalhar jornais, ficar responsável por riscar o desenho original, dentre outras mil tarefas que muitos preferem fazer ao invés de pintar. 

Não é de todo mal. Tiro por mim que odiava fazer caixas de placas de argila no Veiga Valle (Goiânia-Go) e fui obrigada a fazer isso de novo na faculdade (FAV-UFG) na disciplina de Tridimensionalidade. Queria morrer as vezes ao fazer tais caixinhas chatas de argila. 


Viu só? 

Até a professora de artes não gosta de fazer algo do currículo dela. E isso é muito normal.

Mas quando os alunos não possuem destreza suficiente, habilidade, muitos nunca tiveram tal experiência, o resultado é tão maravilhoso, e o processo mais ainda. 

É fantástico ver o pavor no olhar quando a tinta simplesmente escorre porque se pegou tinta demais, quando sujam as mãos e ficam apavorados me perguntando sem parar: "tia, essa tinta sai da mão?", bem, sai. rsrs. Não é tinta de tatoo, rsrs. Mas, percebo que tais medos, ansiedades e perguntas sem pé nem cabeça saem de pessoinhas que estão descobrindo uma nova experiência, uma nova sensação. 

Então caio em mim e me perdôo por tratá-los de forma débil quando deveria tratar de forma como uma educadora que educa uma criança nos primeiros passos. 

Porque as vezes agimos assim? Por as vezes não acreditarmos que existem centenas de professores que preferem passar um texto, ou uma atividade dentro de sala de aula, de forma que não percam o controle da turma, não se estressam, não transpirem. 

Cara, é a única justificativa que encontro. Porque material, ah, man, eu sempre consigo. Sempre dei meus pulos. De uma forma ou de outra. Já comprei tinta, materiais com o dinheiro do meu bolso em diversas ocasiões, e não, não sou boazinha. Sou professora! E necessito ver meus alunos aprenderem mais e de diferentes formas. Se não tem material, se vira. Dá seu jeito. 

Já cansei de fazer rifas, sorteios, bazares, e até paguei do meu bolso. Não, nunca me arrependi. e quando saio das escolas, ninguém continua. É triste, muito triste, mas, a minha alegria é ver que deixei uma bela marca em todos, ou quase todos, de que podemos fazer mudanças, através da arte em todo âmbito do espaço escolar. 

Mudar vidas, comportamentos, atitudes... olhares.

Amooooooo comparar olhares do início da nossa convivência com o final.

Que mudança. 
Que sensibilidade. 
Quanto amadurecimento. 
Quanta saudade. 

Enfim encontrei um lugar que talvez me demore por aqui. E vou tentar aproveitar ao máximo e enfim passar dessa fase do início que nunca passei em todas as escolas que passei, onde fomos interrompidos por contratos quebrados, licenças suspensas, carteiras (des)assinadas. 

Enfim... vamos juntos descobrir mais do que podemos fazer...

e vendo nossas marcas nesses muros... 

nunca vamos nos esquecer do nosso potencial enquanto aprendiz...

aprendiz da vida! 









Passo a passo - Aula sobre Arte Rupestre

Professoras e professores de plantão...

então...

Resolvi criar uma série sobre alguns planos de aula que executei e deram muito certo...

O primeiro vídeo é sobre Pré-História.



O que acham do formato?
Se aprovarem, farei mais com outros temas. 

Abraço forte!
*________*

Clique aqui - Passo a Passo Arte Rupestre

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Normose

NORMOSE. Você sabe o que é?



Acredite, mas, o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal.
Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar.
O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido.
Quem não se "normaliza" acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.
A pergunta a ser feita é:

Quem espera o que de nós?

Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?

Eles não existem.
Nenhum João, Zé ou Maria bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado.

Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados.
Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, sejam lá quem for todos.
Melhor se preocupar em ser você mesmo.

A normose não é brincadeira.
Ela estimula a inveja, a auto depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa.

Você precisa de quantos pares de sapato?
Comparecer em quantas festas por mês?
Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias.
Um pouco de autoestima basta.
Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante.
O normal de cada um tem que ser original.
Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
É fraude.
E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.













Sticker Art – Uma ferramenta de inclusão e conscientização do valor da arte

Resumo


Uma experiência numa escola pública de Goiânia, usando da técnica Sticker Art para valorizar a disciplina de artes, conscientizar os alunos do valor da discplina e incluir o aluno na arte contemporânea como ser crítico, atuante na arte da sua cidade e na sua escola.


Palavras – chave: Cotidiano, arte contemporânea, Sticker Art.

As grandes obras de arte somente são grandes
por serem acessíveis e compreendidas por todos.
Léon Tolstoi

Refletindo sobre o pensamento de Tolstoi, compreendo que nas escolas públicas pelas quais eu já lecionei, o grande problema que encontro é sempre o mesmo: alunos desinteressados, traumatizados por aulas, professores e métodos nos quais apenas são usados de teoria, textos, e pouca, quando nenhuma, reflexão.

A arte contemporânea é uma grande ferramenta para transformar essas mentes (alunos) hoje na escola, mas, será que estamos usando-a da melhor forma? Há três meses comecei a lecionar em uma escola no Jardim Guanabara. Uma escola muito grande, com um enorme número de alunos. Mas, o que mais me deixou triste foi encontrá-los com ódio, pavor, desânimo, frustação com relação a disciplina de artes. Procurei de todas as formas questioná-los para descobrir o problema e como essa situação pôde se instalar. Descobri então que por conta da teoria desconectada da prática, os alunos faziam por fazer; a maioria apenas por nota, e a minoria tentava gostar, mas, sem a real compreensão do porque fazer, nenhum, absolutamente nenhum soube me dizer de fato, o que já aprendeu em arte, se gosta de arte e descrever o que é arte em seu ver. Percebi então que estava perante um grande e maravilhoso desafio. E partir para o ataque.

Nosso primeiro momento de aula, enfim, foi de debates. Conversamos sobre as artes visuais, a música, o cinema, o teatro, a fotografia, enfim, sobre várias habilidades e quais eles mais gostavam, sentiam afinidades. Observei que pintura e desenho estava na lista de muitos, inclusive a fotografia e o cinema. Pensei em várias atividades, e conversando com a coordenação e gestão da escola, consegui que concordassem comigo que a escola precisava de um sacode inicialmente. Criei o I Concurso de Sticker Art. Trabalhei o conceito, a história do Sticker Art, expliquei que se tratava de um adesivo urbano e levei muitas imagens de stickers encontrados em Goiânia. Muitos foram reconhecidos, e o significado de muitos, compreendido. Levei um amigo artista que trabalha com a técnica, conhecido como Dish, e ele falou a todas as turmas da sua experiência enquanto grafiteiro, artista plástico e ser crítico. A partir desse encontro, consegui tirar dos alunos questões políticas, revolucionistas com relação a realidade financeira, escolar, familiar e social. Enfim, estavam sacudidos. Agora era apresentar as ferramentas. Tivemos uma aula de desenho, onde apresentei técnicas de caricatura, sombra e luz, dicas de lápiz, canetas, canetinhas e programas de computador para os que preferiram a arte digital. Na outra semana todos me entregaram suas obras.

Muitas com mensagens, desenhos e imagens, muito críticos, cheios de ideias, questionamentos, com relação a escola, política, valores, relação amigo, pais e outros temas. Coloridos, em preto e branco, todos fizeram. Do ensino fundamental ao 2º do ensino médio. Todos trabalharam muito. Fizemos a premiação do concurso no recreio. Tivemos 1º, 2º, 3º, 4º e 5º lugar. Conseguimos doação de medalhas, mochilas, kits com lápis especiais, folders artísticos, cadernos de desenho. Foi o momento mais eufórico do concurso. Eles esperavam ansiosamente pra saberem o resultado. Muitos nem ligaram se não foram premiados por que o melhor já estava pronto: criei na sala de artes (a escola possui uma sala separada para a disciplina nos períodos vespertino e matutino) uma esposição na parede do fundo da sala com um sticker meu, como uma moldura, e todos os stickers selecionados ou não, foram fixados ao lado do meu. Simplesmente amaram, e na primeira semana ninguem conseguiu lecionar sem chamar a atenção dos novos artistas que se orgulhavam em mostrar: “aquele ali é meu, viu como ficou bonito?”, “e aquele, é seu? Nossa, parabéns!”. Trocavam elogios, críticas e questionavam poéticas, cores, ideias, dentre outros pontos. Eles acordaram para a arte. Acordaram e se tornaram críticos, com muito potencial para enfim, ver a arte com outros olhos. Hoje, todas as atividades que proponho, aceitam com tamanho desejo, vontade de aprender mais, conhecer o novo. Apelidaram-me de professora doidinha, pois nunca viram a arte como estão vendo. Vez ou outro me perguntam: “professora, que arte é essa? Como se chama isso?”. Querem saber, querem aprender novos vocabulários, mas, principalmente,querem se divertir fazendo.








Figura 1. Parede do fundo da sala sem os adesivos dos alunos e com os adesivos dos alunos. Adesivo recortado a mão. Autora: Professora Priscila Macedo



A arte é uma disciplina que mudou minha vida e acredito que pode mudar a de muita gente. Todos os trabalhos que desenvolvo uso as seguintes palavras-chave: cotidiano, identidade, arte contemporânea e criticidade. Me orientando pelo conceito de Sturken e
Cartwright apud Hernandez que dizem que, “(...) representação é o uso de linguagem e imagens para criar significado sobre o mundo que nos rodeia (...)” (HERNANDEZ. 2005. p. 137) e, como afirma Thiollent,
“(...) bons projetos são aqueles que geram ganhos de conhecimento e de experiência para todos os participantes, com base no ciclo reclacionando ação e reflexão”. (Thiollent. 2011. P.7)
Professores que se interessam pelas artes visuais hoje, que não tenham como meta apenas ensinar a história da arte a seus alunos são, com certeza, uma raridade. De todos os professores de arte que tive na minha vida escolar, apenas uma me mostrou o quanto as Artes podem transformar nossa vida. Essa mesma professora que me influenciou por essa profissão maravilhosa. A faculdade me ajudou muito enquanto pesquisadora e iniciante de um novo mundo cheio de novidades e possibilidades. Gostaria muito de transmiitir a mesma empolgação que sentia todos os dias de quatro anos aprendendo e descobrindo para meus alunos, mas, com uma aula por semana, é certamente impossível, mas, porque não tentar?















Referências Bibliográficas

HERNÁNDEZ, Fernando. & OLIVEIRA, Marilda (Orgs.). A formação do professor e o ensino das artes visuais. Editora UFSM. Santa Maria. 2005.
THIOLLENT, Michel. A construção do conhecimento e metodologia da extensão. Instituição: UFRJ. Disponível em: http://www.proex.ufrn.br/files/documentos/thiollent.pdf. Acesso em: 19 de Maio de 2011, as 08:45.

sábado, 21 de abril de 2012

Criando Arte Postal....

Criando Arte Postal....

 
Mail-Art ou Arte Postal é uma rede internacional de artistas plásticos que utilizam meios de comunicação como meio artístico. 

Os artistas postais criam seus desenhos, colagens, carimbos e divulgam sua arte pelo correio, ou e-mail, em vez de utilizar as vias institucionais, como museus ou galerias. 

Na Arte Postal, a produção, o envio e a troca do produto são inseparáveis. Arte Postal, portanto, é tanto a criação de um produto artístico quanto um ato social. Podemos dizer que o maior interesse da Arte Postal não está na sua produção, mas na estrutura de interação envolvida no processo. Sua força reside, principalmente, na rapidez com que as idéias viajam entre os artistas de todo o mundo. 

Arte Postal funciona também como uma proposta alternativa para a divulgação das obras de arte, oposta a um empreendimento comercial, por não envolver nenhum lucro financeiro.

Além disso, essa forma de arte não procura promover a criação de uma única cultura mundial; ao contrário, Mail Art demonstra que o respeito pelas idéias divergentes pode ser um instrumento poderoso na aceitação e na interação criativa entre as diferenças culturais.

Eu... tentando criar um para mandar para o amigo Diogo Hamlet!
Espero que goste meu amigo... 







terça-feira, 27 de março de 2012

Um pouco da Arte Popular...

Encontrada por ai...


De acordo com Canclini (1999)

“A redefinição do que é hoje popular requer uma estratégia
de investigação que seja de abranger tanto a
produção quanto a circulação e o consumo. Se as feiras
de artesanato das grandes capitais aumentam a cada
dia, significa que o consumo e a circulação estão sendo
impulsionados. Tal incentivo à produção artesanal
encontra sustentação em um sistema social que a
incentiva, apesar da produção material e simbólica das
culturas tradicionais pelo consumo urbano”


















Feira da Lua - Goiânia - GO

















Campo Grande - Mato Grosso do Sul










Mercado Central - Goiânia - GO


A arte popular nunca participou da historiografia da arte erudita.

Mesmo em países como o México, cujas tradições de criatividade popular são tão respeitáveis e tão antigas, a arte popular ficou fora da história da arte nobre, apesar de encontramos referências da cultura popular e de arte popular nos campos da sociologia, antropologia e história.

Em 1846 surge o neologismo folk-lore (saber do povo), campo de estudos até então identificado como “antigüidades populares” ou “literatura popular”. Em 1870 é fundada a Folklore Society na Inglaterra. Novo espírito que procura definir o estudo das tradições populares como ciência. Os Antiquários: autores dos primeiros escritos que no séc. XVII retratavam costumes populares com uma concepção de pesquisa, tendo como características: coleção, classificação, diletantismo e a valorização moral do popular. Trabalho exclusivo com fontes pri- márias não literárias.


Jules Michelet define a idéia de popular como o que é autêntico e erudito como o que é artificial identificando o espírito do povo como o verdadeiro espírito da nação. O nacionalismocomo fomento da Revolução Francesa. O romantismo é o meio fundamental da expansão de uma concepção de mundo e do homem formulada no século XIX. Individualismo qualitativo - expressa a natureza humana pela sua singularidade e liberdade. Os românticos são os primeirosa enfatizar a particularidade e a singularidade das sociedades históricas, e a perceber a importância da especificidade cultural do Oriente e da Idade Média Européia. Em sua própria sociedade os românticos valorizam a diferença e o contraste. O povo torna-se objeto de interesse para estes intelectuais. Esse movimento amplo de descoberta do popular tem raízes estéticas, intelectuais e políticas.

Construir sobre a singularidade das expressões culturais do povo, a singularidade de cada nação. O artista deve expressar a individualidade coletiva. O povo é para os intelectuais, natural, simples, inculto, instintivo, irracional, enraizado nas tradições e no solo da sua região.
Para os estudiosos do séc. XIX a cultura folk sofria a ameaça de desaparecimento em função do avanço da industrialização e modernização da sociedade.

Estabelece um conceito mais democrático de cultura e de intelectual, que diminui o fosso entre o popular e o erudito e o coloca de forma diferente. Critica o historicismo na vertente Francesa - Annales: “a história não é uma tapeçaria que se faz com “pontinhos”, ela só tem sentido se for uma história problema”. Nesta reformulação conceitual coloca-se a interdisciplinariedade como elemento fundamental de renovação e lança-se as bases da história
das mentalidades na aproximação da antropologia com a psicologia e a história.
Aproximação da história com a etnologia. Tensão entre o conceito de mentalidade e o de cultura popular. Uma perspectiva que se quer democrática, na qual se suplantam as diferenças de classe e se busca um enfoque de interclasse, onde não faria mais sentido o purismo dos Grimm. É uma perspectiva democrática, de aproximação de níveis culturais diversos.
Mandrou diz que as classes subalternas não conseguiram moldar uma consciência de classe porque desenvolveram uma cultura alienante.
De acordo com Canclini “A redefinição do que é hoje popular requer uma estratégia de investigação que seja de abranger tanto a produção quanto a circulação e o consumo. Se as feiras de artesanato das grandes capitais aumentam a cada dia, significa que o consumo e a cir- culação estão sendo impulsionados. Tal incentivo à produção artesanal encontra sustentação em um sistema social que a incentiva, apesar da produção material e simbólica das culturas tradicionais pelo consumo urbano”.
Já os integrados essa cultura de massa traz renovações culturais fruto das transformaçoes da nova era industrial. Para Eco já não existem mais diferenças entre tipos de cultura, uma vez que para sermos realistas, tudo hoje é cultura de massa: do folclore, passado pela cultura popular, à cultura erudita.

Na contemporaneidade o enfoque dado à cultura popular preocupa-se com a interrelação de saberes diversos; preocupa-se com a perpetuação de formas culturais; faz com que o historiador fique atento à questão das intermediações e dos filtros. A reaproximação da história com a etnologia propiciou a visão da cultura popular como um tráfego de mão dupla - onde a idéia de purismo não faz mais sentido - mas é fecunda a idéia da circulação dos níveis culturais, que devem um tributo tanto ao marxismo como à antropologia.
As duas tradições “puras” (a popular e a clássica) foram-se diluindo paulatinamente, misturando-se entre si, transformando-se ao longo do processo, gerando uma multiplicidade de formas, tanto orais como escritas e, finalmente eletrônicas (como a cultura de massa), circulando pelas várias camadas sociais da população dos países europeus e latino americanos até os dias de hoje. As idéias desenvolvidas pelos alemães na passagem do século XVIII para o século XIX tiveram uma enorme influência sobre o conceito de cultura popular tal como ainda encontramos hoje em dia. Mas é chegada a hora de uma revisão, e muitos o vêm fazendo. Portanto, a permanência deste assunto no currículo de artes, não nos parece uma preocupação anacrônica com estas questões.

Autora: Lêda Guimarães

Módulo 8
Arte e Cultura Popular: variações em torno da construção de conceitos e valores



quinta-feira, 15 de março de 2012

A LIBERDADE COMO MÉTODO


A LIBERDADE COMO MÉTODO
Um projeto moderno em ação “pioneira” de ensino da arte
Uma proposta para museus goianos – pensando no público Surdo de Goiás
Priscila de Macedo Pereira e Souza
Graduanda em Artes Visuais - Licenciatura (UFG/FAV – Faculdade de Artes Visuais)
Resumo
Partindo da idéia desenvolvida no MASP, Museu de Arte em São Paulo, e do texto de Ana Mae Barbosa, “A liberdade como método: um projeto moderno em ação “pioneira” de ensino da arte no Museu de Arte de São Paulo”, o trabalho feito com foco no Museu de Arte de Goiânia, desenvolve um projeto que visa o treinamento de equipes especializadas, podendo ser nomeados arte-educadores-intérpretes, que estivessem aptos a trabalharem como mediadores em museus goianos, onde levantamos a hipótese de que os Surdos e ouvintes não tem a mesma cultura “artística” e pulsante como na Capital paulista, mas, que tem uma comunidade Surda, ativa e curiosa que, sem essa acessibilidade, gratuita e satisfatória, não consegue absorver e se integrar no mundo dos museus, contemporâneos, históricos e outros, ou seja, num contexto cultural de sua própria cidade e estado. Como trabalho de campo, para investigação e constatação da deficiência com relação a mediação nos espaços museológicos em Goiânia, capital goiana, escolhemos analisar a realidade de vários museus, e focamos nossos estudos no Museu de Arte de Goiânia. Lembrando que essa pesquisa não questiona o museu em si, mas, a liberdade de se trabalhar em um órgão sem as devidas ferramentas, treinamento, especificidades e profissionais de fato capacitados para atender o público Surdo, que tanto tem crescido na região. Abordamos a questão do clube infantil de arte, criado no MASP por Suzana Rodrigues e também a questão das crianças Surdas e, como seria importante na vida dessas crianças se pudessem ter as mesmas experiências de uma criança ouvinte, como ocorreu no clube infantil no MASP, o que não ocorre nos museus de Goiânia de forma satisfatória e, de fato observada. E, mesmo sendo a “livre-expressão” parte da utopia modernista de um mundo melhor a ser alcançado, o respeito à individualidade de cada um, alto-conhecimento e assim seguindo para um conhecimento mais amplo, e vice-versa é fascinante, quando podemos nos expressar com mais liberdade, nos sentimos mais interados do nosso meio, para as crianças isto ajuda em seu desenvolvimento social e pessoal. Sendo assim, a presença de não só um intérprete de Libras, mas, um mediador apto a falar diretamente e claramente a esse público seria fascinante e de fato diminuiria esse déficit alarmante no qual presenciamos nos espaços culturais, em todo o país, principalmente, não promovendo de fato, a acessibilidade, tão sonhada e buscada por nós.
Palavras-chave: Museus, Mediação, Surdos, Artes, Acessibilidade.

QUEM FOI JOAQUIM EDSON DE CAMARGO? UMA REFLEXÃO ACERCA DA HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA


Amaury Barbosa de Amorim
Monique de Jesus Vieira Coelho dos Santos
Priscila de Macedo Pereira e Souza


Resumo: O trabalho "Quem foi Joaquim Edson de Camargo? Uma reflexão acerca da história dannossa escola" esta relacionado com o Estagio Supervisionado I, do curso de Artes Visuais Licenciatura da FAV-UFG.
Foi através desta disciplina que tivemos o primeiro contato com a escola. Nossa proposta de trabalho teve o objetivo de compreender e analisar o espaço escolar, o surgimento deste espaço, e a importância deste para a contribuição do ensino; enfatizamos assim a historicidade da escola, e a repercussão desta no processo de ensino nos dias atuais.
Assim em nossa pesquisa buscamos solucionar alguns questionamentos tais como: quando surgiu esta instituição de ensino, qual o motivo para a criação desta, onde foi criada a escola inicialmente, de onde nasceu o nome da escola, e o porquê desse nome.
A importância está em repensar este espaço, analisando historicamente a contribuição da sociedade na formação deste ambiente de ensino, assim como a contribuição da escola na formação das pessoas que moram na proximidade desta.
A nossa proposta buscou estimular o contato dos alunos com o ambiente educacional assim como o meio em que esta escola esta inserida, mostramos como esta foi criada, onde foi criada inicialmente, porque foi criada neste local, a importância da sociedade na criação deste espaço, destacamos parte da historia para que eles pudessem analisar e a partir daí, estimular um olhar crítico sobre um ponto relevante do cotidiano deles e a relação com a historicidade do ambiente escolar.
A partir de visitações aos Museus MIS, Antropológico da UFG e Zoroastro Artiaga, procuramos levar os alunos a entenderem como funciona o trabalho de levantamento de dados, pesquisa, fotografia, registro, dentre outros, e buscamos a partir de algumas informações, levantar a história da escola e apresentá-la a comunidade escolar e local.
Inquietamo-nos com a falta de informação da maioria na escola com relação à história da mesma e conseguimos em apenas um semestre levantar essa historia através de entrevistas com moradores da região, alguns de outros estados, que se mudaram posteriormente a construção e inauguração oficial da escola em 1968.
A escola apoiou a ideia e conseguimos, enfim, construir um projeto de reflexão acerca da história da escola estadual Joaquim Edson de Camargo, em 2009.

Palavras-chave: Pesquisa. Memória. Educação. Museus. Arte Contemporânea.